terça-feira, 22 de maio de 2012

Vergonha alheia por alguns colegas de profissão

Explorar a agonia de uma sociedade desprovida de educação, saúde e infra-estrutura agora tá na moda. É tudo pela audiência ou pelo simples fato de noticiar para clamar por justiça?  De uma maneira ou de outra algumas situações extremamente constrangedoras estão sendo mostradas e  esse conteúdo é exibido em pleno horário de almoço ou ao fim das tardes. Isto significa que telespectadores de todas as idades, inclusive crianças, estão sintonizados na TV. 
Os defensores desse tipo de programa certamente irão dizer que o controle está em nossas mãos e quem não se agradar é só trocar de canal. Fatalmente é o que eu faria! 
Mas muitas pessoas acabam se identificando com o estilo espalhafatoso de alguns apresentadores e repórteres, que voluntariamente fazem seus julgamentos (coisa que jornalista não deve fazer em hipótese nenhuma), falam “a linguagem do povo”, e, dessa maneira, são transformados em grandes personalidades.  
Para ilustrar alguns absurdos que estão sendo veiculados, queria compartilhar com vocês um vídeo postado no blog de Renato Rovai (editor da revista Fórum) que foi indicado, pela minha amiga Marília Almeida, através do Facebook. 
Como profissional de comunicação, publicitário e jornalista, fico envergonhado com a performance da repórter. No vídeo ela comete uma série de erros em sequência. Confira:


Primeiro: pra contar a história de um jovem que foi preso, por tentativa de assalto e é acusado de estupro, não se faz necessário dá voz pra o tal delinquente;
Segundo: ao dar voz para o rapaz, assaltante, que até o momento apenas é acusado de estupro, a repórter ouve ele afirmar que não estuprou a vítima. A partir daí ela o julga dizendo que ele não fez mas teve vontade;
Terceiro: ao perceber o baixo nível de educação do acusado, que por sua vez não tem muito conhecimento a respeito dos procedimentos para comprovação de uma ação de estupro, a "jornalista" esnoba seu personagem o colocando numa situação completamente constrangedora e humilhante. 

É decepcionante! Vamos melhorar TV brasileira... 

PS: O vídeo acima foi veiculado na Bahia, mas esse tipo de conteúdo não é exclusividade desse estado. Coisas assim são exibidas em diversas emissoras por todo o Brasil. 


terça-feira, 15 de maio de 2012

A internet como combustível para o Jornalismo



E ai minha gente, tudo bom?! Hoje resolvi falar um pouco sobre um assunto que tem rendido muito nos fóruns de discussões a respeito das perdas e ganhos para o jornalismo após o advento da internet nas nossas vidas.
É notório esse novo movimento que vem modificando a estrutura do jornalismo, incluindo a internet, e todo seu aparato tecnológico, como importante personagem nos processos de comunicação. Ela (a internet) se insere diretamente no dia a dia dos profissionais em todas as áreas fazendo com que tudo flua com mais rapidez.
Essa agilidade vem modificando os processos internos executados pelo departamento comercial (veículos e agências), opec, desenvolvimento de artes, e, principalmente, do jornalismo.
A informação, hoje, está presente nas redes sociais, nos grandes portais de notícias, em blogs e afins; portanto, tem uma capacidade de circular muito mais rápido do que antes, fazendo com que as pessoas tenham acesso a elas de maneira instantânea. Isso contribui, também, para o aumento do número de informações transmitidas e, é exatamente nesse ponto, que enxergo o perigo!
Junto com as inovações tecnológicas existe o desejo de estar sempre na frente no que diz respeito à divulgação das novidades, ou seja, das notícias, o que afeta diretamente uma premissa básica mas extremamente importante do jornalismo: a apuração. Em função dessa velocidade, com que as coisas acontecem na internet, nunca se noticiou tanta informação ‘pobre’ no sentido do não comprometimento com a verdade, detalhes e checagem.
Muitos jornalistas e profissionais de comunicação acabam ‘metendo os pés pelas mãos’ por causa dessa aceleração do processo. A internet é sim um grande potencializador de oportunidades mas, nunca é demais lembrar que, é preciso ter cuidado no uso dessas novas ferramentas.
Independente disso, a respeito das empresas de comunicação, aquela que não inovar e/ou diversificar suas participações nessas novas mídias estará fadada ao fracasso. Uiii!!!

domingo, 6 de maio de 2012

E Viva a Virada Cultural


E lá se foi a Virada Cultural 2012... mais de 900 atrações envolvendo teatro, música, dança, poesia, culinária, shows de ilusionismo e até luta livre, acontecendo das 18h00 do sábado (05) até as 18h00 do domingo (06) em centenas de locais diferentes sendo a maioria pelo centro de São Paulo. E foi exatamente por onde andei esse fim de semana!
Com tanta atração boa rolando ao mesmo tempo, ficou difícil escolher um lugar pra ir, então, resolvi começar por um palco catedrático especialmente montado para apresentações de stand up comedy na Praça de Sé.
Pela foto acima da pra ter uma noção da quantidade de gente. Pelo menos 30 mil pessoas, segundo a polícia militar, pra ver, se revezarem no palco, gente do quilate de Tom Cavalcanti, Danilo Gentili, Fernando Caruso, Fábio Porchat, Rafinha Bastos, Marcela Leal, Oscar Filho, Rafael Cortez e alguns outros, só fera!!!  Foi muito massa, um verdadeiro "templo da gargalhada". Alguns deles nunca tinham se apresentado diante de um público tão grande!
Foto postada no Instagram por Danilo Gentili

Saindo do Praça da Sé, a próxima estação escolhida era o Largo Santa Ifigênia. Por lá estava rolando um desafio extremamente rock n'roll, mas até chegar lá tivemos que atravessar uma verdadeira multidão que se apertava em frente a Faculdade de Direito no Largo São Francisco pra curtir uma roda de samba com artistas da nova geração de sambistas paulistanos. Ai amigo, brasileiro em roda de samba sabe como é né?!  A coisa tava quente!
Seguindo em frente passamos pelo largo São Bento e cruzamos com um expressivo coletivo de poetas tomando conta da praça com seus saraus. Ficamos poucos minutos lá, mas foi nesse exato momento que alguém com microfone em punho recitava:

"...Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja..."


Reconheceu?! Eram os versos pesados do paraibano Augusto dos Anjos ecoando na virada cultural. 
Ali bem do lado uma feira literária com inúmeras publicações pra todos os gostos, desde Machado de Assis até o livro do Fiuk. Pra você ver como tinha de tudo!
Ahh o desafio rock n'roll? Claro, claro... enfim chegamos ao Largo Santa Ifigênia onde a banda Houdinis simplesmente tocou durante 24 horas! Dá pra acreditar?! Os caras tocaram durante toda a virada cultural um repertório que eles mesmos classificaram como bipolar. E o mais legal é que era um palco pequenininho e dava pra gente interagir bem próximo dos músicos. Durante o tempo que estávamos por lá, rolou: AC/DC, Creedence Clearwater, Dire Straits, Pink Floyd, Rolling Stones, Steppenwolf, U2, Beatles, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Cachorro Grande... ufaa, só clássicos. Valeu a pena demais, foi "da hora" como dizem "os manos" aqui de São Paulo!!! 
   
Depois disso o cansaço começou a chegar, e o caminho de casa foi o destino seguinte! Não deu pra ver nem um terço de tudo que rolou na maravilhosa virada cultural e talvez por isso tenha ficado o gostinho de quero mais desse evento democrático, popular, fantástico e o melhor: inteiramente de graça. \0/
Que venham as próximas!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O primeiro de maio em São Paulo

                                              Foto: Dino Santos (CUT)

Que em São Paulo existe uma diversidade cultural incrível todo mundo já sabe. O legal é que ontem, durante o feriado de 1º de maio, essa efervescência cultural estava reunida no mesmo local pra celebrar o dia do trabalhador. Apesar do frio intenso na metrópole, muita gente foi até o Vale de Anhangabaú, no centro da cidade, pra curtir uma grande festa promovida pela CUT-SP (considerada a maior central sindical da América). São pessoas de todos os lugares do Brasil que encontram por aqui oportunidades de crescimento.
E pra agradar a todos os gostos uma feira gastronômica foi montada por lá com comidas das cinco regiões brasileiras. Tinha Empadão goiano, o Açaí do norte, um Acarajé nordestino bem quente, o famoso Arroz Carreteiro do sul, o tradicional Rojão de Carne mineiro e por ai vai. Uma pena foi o tamanho das filas, grandes demais, que me impediram de comer qualquer uma dessas iguarias. Mas só em sentir o cheirinho bom da comida e reparar na sensação de satisfação das pessoas, por estarem representadas ali naquele ambiente, já valeu a pena a minha ida por lá. Ahh é claro que tinha música: Elba Ramalho, Arlindo Cruz, Renato Borghetti, Paula Fernandes, Belo, Leci Brandão, Leonardo e outros cantores deram o ar da graça;
O 1º de maio é um dia comemorativo para trabalhadores de diversos lugares do mundo, durante o qual são manifestadas várias reivindicações. Aqui no Brasil os governos, desde os tempos de Getúlio, aproveitam essa data para anunciar medidas e/ou melhorias como aumento do salário mínimo por exemplo, resultado das lutas da classe propulsora de riqueza dessa sociedade. Ou seja, um feriado ideal para os atos políticos sociais. Dessa vez a luta é pelo direito do trabalhador escolher o sindicato que o represente, acabando com o imposto sindical que é descontado uma vez por ano do salário do trabalhador. Essa luta começa a dar resultado uma vez que a presença do novo ministro do trabalho, Brizola Neto, que discursou diante dos mais de 120 mil trabalhadores presentes na festa, segundo a organização, indicando que o governo está aberto a mudanças nesse sentido.
No mais, a cidade ficou meio parada com trabalhadores de folga aproveitando pra curtir bastante a data com suas famílias e a esperança (aquela que nunca morre) de um Brasil com empregos de qualidade, desenvolvimento sustentável e melhor distribuição de renda.
Pois é! Parafraseando um grande campeão brasileiro, que morreu numa manhã de 1º de maio há 18 anos atrás: "Acelera que tem muita pista pela frente".

Simone e Chico Buarque | PRIMEIRO DE MAIO | Riocentro 1979 (ÁUDIO)