Explorar a agonia de uma sociedade desprovida de educação, saúde e infra-estrutura agora tá na moda. É tudo pela audiência ou pelo simples fato de noticiar para clamar por justiça?
De uma maneira ou de outra algumas
situações extremamente constrangedoras estão sendo mostradas e esse conteúdo é exibido em pleno
horário de almoço ou ao fim das tardes. Isto significa que telespectadores de todas as idades,
inclusive crianças, estão sintonizados na TV.
Os defensores desse tipo de
programa certamente irão dizer que o controle está em nossas mãos e quem não se
agradar é só trocar de canal. Fatalmente é o que eu faria!
Mas muitas pessoas
acabam se identificando com o estilo espalhafatoso de alguns apresentadores e repórteres,
que voluntariamente fazem seus julgamentos (coisa que jornalista não deve fazer em hipótese nenhuma), falam “a linguagem do povo”, e, dessa
maneira, são transformados em grandes personalidades.
Para ilustrar alguns absurdos que estão sendo veiculados, queria compartilhar com vocês um vídeo postado no blog de Renato Rovai (editor da revista Fórum) que foi indicado, pela minha amiga Marília Almeida, através do Facebook.
Como profissional de comunicação, publicitário e jornalista, fico envergonhado com a performance da repórter. No vídeo ela comete uma série de erros em sequência. Confira:
Primeiro: pra contar a história de um jovem que foi preso, por tentativa de assalto e é acusado de estupro, não se faz necessário dá voz pra o tal delinquente;
Segundo: ao dar voz para o rapaz, assaltante, que até o momento apenas é acusado de estupro, a repórter ouve ele afirmar que não estuprou a vítima. A partir daí ela o julga dizendo que ele não fez mas teve vontade;
Terceiro: ao perceber o baixo nível de educação do acusado, que por sua vez não tem muito conhecimento a respeito dos procedimentos para comprovação de uma ação de estupro, a "jornalista" esnoba seu personagem o colocando numa situação completamente constrangedora e humilhante.
É decepcionante! Vamos melhorar TV brasileira...
PS: O vídeo acima foi veiculado na Bahia, mas esse tipo de conteúdo não é exclusividade desse estado. Coisas assim são exibidas em diversas emissoras por todo o Brasil.




